O Bernardo

Bernardo Manuel Limas Vieira. 25 de fevereiro de 1992. Aveiro, Portugal.

Aveiro sempre me fascinou. Talvez por viver no mais antigo bairro da cidade: o Bairro da Beira-Mar. Fica no centro da cidade e cruza o antigo com o novo. Junto a mim mora quem começou a cidade. Quem viveu do sal e das demais atividades ligadas à ria. Daí apelidar-me carinhosamente de ‘Marnoto’.

Os marnotos são os homens do sal. As mulheres chamam-se salineiras. E Aveiro, até há bem pouco tempo, era dos marnotos e das salineiras. Eram eles que construíam a riqueza da cidade que é conhecida como Veneza de Portugal.

Da casa do meu avô, que fica a uns 100 metros da minha, veem-se as salinas. E das salinas vê-se a casa do meu avô. Passei e passo lá muito tempo. Acho que é um apontamento importante. Para um qualquer alguém que me queira conhecer.

O Jaime abriu-me muitos horizontes. Devo-lhe uma boa parte da minha personalidade. Muito boa gente que o conheceu diz-me que somos muito parecidos (fisicamente só na ‘barriguinha’. E também no andar, dizem as más línguas). Gosto muito que nos comparem. É um orgulho para mim. Ele já cá não está para andar na boa e na má vida comigo. Mas continua a fazer-me rir. E também me ajuda a refletir. Ah! e foi o primeiro a ensinar-me o que é a saudade.

Continuando.

Quando era ‘puto’ participei no Auto da Barca do Inferno. Acho que foi a minha primeira experiência no teatro. Foi numa peça encenada pela minha mãe. Ela é professora de português, francês e teatro. O afamado elenco, da obra maior de Gil Vicente, era composto por uma das turmas favoritas dela. O raio do bichinho ficou bem instalado.

Continuei a fazer teatro aqui e ali. Vejam bem que o raio do garoto até ganhou um prémio de melhor ator nas Escolíadas (já lá vamos). Isto uns anos mais tarde claro.

Passados vários atos, o ator veio a descobrir que do que gosta é de cultura. Começou com o teatro e agora também discute políticas culturais. Pelo meio fica a música, a literatura e outras que tais. Porque gosto tanto? Porque no meio da confusão em que vivemos só nos resta alimentar a alma. Sem alma não podemos mudar nada. É o nosso ADN metafísico.

Por falar em ADN.

Ora andava com o meu avô, ora andava com a minha mãe. Vida de professor é tramada. Quando era ‘puto’ (mais ‘puto’ do que na altura da peça do Gil) ia muitas vezes para a escola com ela. Nesses tempos ainda só chorava, dormia, comia e fazia cócó. Sim, muito paleio para dizer que era bebé.

A Professora Conceição Limas deixava-me na secretaria, na sala dos professores, na direção e… um pouco por todo o lado. Não é nenhuma irresponsável (muito pelo contrário), mas convenhamos que é chato andar sempre comigo à pendura.

Gosto de dizer que sou o aluno mais velho da Escola Secundária Dr. Jaime Magalhães Lima. Lá, não fiz só o 3º ciclo do ensino básico e o ensino secundário. Fiz a minha vida toda (até agora claro). Quase toda a gente me conhece. A maioria dos meus professores andou comigo ao colo. Coitados. Diz que era o maior ‘monte’ da enfermaria. Quando vim ao mundo.

E foi pela escola que conheci o mundo.

Paris, Valência, Bruxelas, Corunha e Turquia. São muitos sítios, mas todos têm explicação. Não foi só por ser filho da professora.

Em boa verdade, Paris foi. Fui a terras de Napoleão por duas ocasiões. Ambas à pendura. E de quem? Da minha mãe, pois claro! Ela acompanhou duas turmas de 9º ano, naquelas que foram as suas viagens de finalista. Finalistas da língua francesa. Ninguém é finalista de coisa nenhuma na educação. Pelo menos na obrigatória, até ao 12º ano.

Bom. De França retiro um dos amigos mais presentes. Que é o mesmo que me apresentou à maioria dos meus amigos de agora. Relativamente à língua remeto-me à minha burrice. Não sei dizer muito mais que “Je mange la baguette avec du fromage et je bois du jus de orange”. Mas quero muito aprender o francês.

A Valência fui por ser um dos melhores alunos de espanhol. Quem me convidou foi a professora. Uma turma dela ganhou o Projeto Pilar Moreno. Com o dinheiro foram até Valência. E levaram quem vos escreve. Só paguei despesas extraordinárias. Esse mesmo Pilar Moreno também deu dinheiro à minha turma um ano depois. Ganhámos e fomos à Corunha.

Sim, em Espanhol já sei dizer muito mais. E quando não sei Espanhol corrente falo, como qualquer bom português, portunhol.

A Bruxelas fui com o clube europeu. Foi um eurodeputado de Aveiro que nos pagou a viagem. Aí sim. Foi do bom e do melhor. Tudo às custas do contribuinte, claro está. Fomos até ao Parlamento Europeu. Levei a minha primeira ensaboadela política. Comi chocolates. Vi o Manneken-Pis. E fiquei incrédulo: uma colega minha pagou dois euros por um copo de água.

Com o Comenius fui a Istambul, Turquia. Fiquei em casa de um rapaz turco de boas famílias. Pai de alta patente militar e mãe outrora cozinheira de renome. Tiraram-me a barriga de misérias (como se fosse preciso). Levaram-me a edifícios de estado onde supostamente não podia entrar. Conheci um pouco de tudo. Ah! e fiquei bem menos preconceituoso. Os muçulmanos não são como os media os pintam. Sabiam que as mulheres não são obrigadas a usar burka? Pelo menos na Turquia.

Ainda nesse país que faz a ponte Euroasiática tive estórias engraçadas. Primeiro a malta na escola que nos recebeu acreditou que eu era primo do Cristiano Ronaldo. Bastou-me marcar dois golos numa peladinha de intervalo. Pimba! passaram todos a gostar de mim. Também descobri que em certos países tenho saída com as raparigas. Em Portugal não sou grande espingarda mas aparentemente na Turquia sim. Tudo palavras do rapaz que me acolheu (não estavam à espera que também soubesse árabe pois não??). Não me lembro do nome dele. Tenho pena, confesso. Nem contacto conseguimos manter. Deixámos de nos escrever regularmente. Os mails eram extraviados. Gostava que ele viesse a Portugal para lhe poder retribuir o carinho que ele e a família dele me deram. Que falta faz o Henrique Mendes e o “Ponto de Encontro”.

O Comenius levou-me à Turquia por causa das Escolíadas. Fui lá explicar o projeto, no âmbito da importância das atividades extra-curriculares dentro da escola.

Fui dono de um circo, o Zé Povinho e o dono de uma Fábrica de Ilusões. De patrão a português de gema fiz um pouco de tudo. Sempre dentro do teatro. Com as ilusões ganhei o tal prémio de melhor ator. Corria o ano de 2011.

Depois ajudei a organizar e fui apresentador da escola. Das Escolíadas tiro os meus melhores momentos enquanto estudante do secundário. Também foi lá que conhecia a minha primeira namorada “a sério”. Mas já não namoro. Por agora. Isto no amor é sempre ‘até ao dia’. Naquele caso foi ‘até à noite’. O mítico primeiro beijo aconteceu na Praia da Barra.

Das Escolíadas também saiu outro dos meus melhores. E, como não podia deixar de ser, o Guilherme apresentou-me a outros tantos. Daqueles que serão sempre meus amigos. Sobretudo o Guilherme. Bom homem.

Bem.

Acabei o secundário tirei um Gap Year. Quando o acabei, decidi entrar no curso de Línguas e Relações Empresariais, na Universidade de Aveiro. Até tinha boas notas e gostava de Chinês mas o meu forte era comunicar.

Num rasgo de coragem, porque o mundo acha que os percursos são para serem certinhos, sem desvios, mudei para a Universidade do Minho. Coisa de fraca, isto de ‘perder’ dois anos. Dizem aqueles que acham que os percursos são para ser certinhos e direitinhos, sem desvios.

Estava-me a cagar. Finalmente soube, mais ou menos, qual seria o meu rumo. Comunicar.

Mudei para o curso de Ciências da Comunicação, da universidade minhota. Passei a fazer parte da cidade dos arcebispos, Braga. Comigo levei uma atitude: se é para ser ‘a sério’ quero fazer mais qualquer coisa para além da universidade. E lá voltaram as Escolíadas.

Era hora de me mudar para o lado de lá. Para o staff. “Cláudio, quero vir para o staff e trabalhar na comunicação da associação”. Assim foi.

Para além da comunicação online, tive um programa de rádio. O “ESCOLÍADAS” passava na Rádio Ás. Corri Aveiro, Viseu e Coimbra. Na bagagem levava microfones, mesa de mistura e computador. É o advento da rádio: fazer muito com pouco.

Segundo os responsáveis da Ás, o programa teve muito sucesso. Era dos mais ouvidos da webrádio aveirense.

Não sou nenhum herói, atenção. Tinha muito público e bons entrevistados. Se calhar eu era a parte mais acessória do programa. Era o mediador, um mero jornalista que fazia perguntas e deixava os outros ser quem são. Agora o programa está em standby, porque não há nenhuma rádio que o albergue. Até ver.

Ainda nas Escolíadas. Recolho testemunhos, tiro fotografias e faço ‘minuto a minuto’ para o facebook. Em dias de espetáculo. Durante o resto do ano tento ajudar naquilo que consigo e que o tempo me permite. Isto porque tenho uma licenciatura para acabar.

Atualmente estou no último ano da licenciatura. Estou a especializar-me na vertente de jornalismo e informação. Não porque seja um fanático do jornalismo. Quer dizer, acho que sou um bocado. Mas é só uma das hipóteses para o futuro. Não me quero fechar.

A verdade é que acho que nesta especialização consigo aprender muito mais. Consigo retirar um bocadinho de cada área e perceber como funciona o panorama comunicativo no seu todo. Cada vez mais os comunicadores têm que ser multimédia. Saber um bocadinho (grande) de tudo. Fazer vídeo, gravar som, trabalhar na internet e… criar bons conteúdos. Criativos.

Pronto.

22 anos de gente. Sei inglês e espanhol. Sou muito desenrascado. Tenho muita vontade de aprender e sou persistente. Esforço-me por me manter atual e por dar respostas aos desafios da comunicação. Tenho alguns trabalhos feitos e muita experiência na bagagem. Não a suficiente. Acho que essa nunca vou ter. Nunca é demais.

O bom disto é (acho) que já sei o que vou fazer quando acabar a licenciatura no Minho. Estou sempre aberto a novas portas. Dentro da minha teimosia e ‘resmunguice’ tenho os padrões de exigência e qualidade bem altos.

Vamos ver onde a vida me leva. Fico aberto a sugestões.

 

Advertisements

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s